Violonista do interior de SP, primeira da Forbes Under 30, se apresenta em Tatuí: 'Voltar para casa'

  • 03/09/2026

Ex-Forbes Under 30 e vencedora do maior prêmio musical brasileiro se apresenta em Tatuí Correr atrás dos próprios sonhos, por muitas vezes, pode ser um objetivo que demanda um esforço árduo e o atravessamento de obstáculos. Entre eles, está a saída do "ninho" - a cidade onde nasceu e cresceu - e "voar para longe". É o caso da violonista Gabriele Leite, de 27 anos, nascida e criada em Cerquilho (SP). Há sete anos morando em Nova York, nos Estados Unidos, a artista retorna às raízes nesta quinta-feira (3) para realizar seu primeiro show solo no Conservatório de Tatuí (SP). Os ingressos estão disponíveis pelo site. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Ao g1, Gabriele conta que a paixão pela música começou ainda na infância e de forma lúdica, utilizando objetos do seu dia a dia. "Pegava vassouras, virava baldes e ficava brincando de fazer música sem entender muito bem o que estava fazendo. Meus pais perceberam e perguntaram se eu gostaria de apresender algum instrumento. Na época, o violão foi algo acessível para a família poder comprar", relembra. A violonista descreve o primeiro instrumento como “júnior”, por ser menor e voltado ao público infantil. O contato inicial com a música de forma profissionalizante ocorreu em 2004, por meio do Projeto Guri, em Cerquilho. Mantido pelo Centro Cultural São Paulo, o projeto oferece educação musical a crianças e adolescentes. "Desde então, eu me apaixonei pelo violão e nunca mais larguei. O projeto era muito legal porque você andava por outros polos, então, eu tinha um intercâmbio muito bacana com as outras cidades que tinham o Guri. Fiquei seis anos estudando lá, até meus 12 ou 13 anos." LEIA TAMBÉM Frio, calor e mudanças bruscas de temperatura podem danificar instrumentos musicais, alertam especialistas Ana Lúcia Torre transforma 60 anos de carreira em espetáculo e revela ‘frio na barriga’ antes de entrar no palco: 'Se não tiver, não tem graça' Com vasto catálogo de arranjos, maestro de Itararé também foi compositor e tem canção 'perdida' com Vinícius de Moraes Gabriele Leite foi a primeira violonista com menos de 30 anos a fazer parte da lista de destaques da Forbes Gabriele Leite/Arquivo Pessoal Posteriormente, Gabriele foi aprovada justamente no lugar onde se apresentará na noite desta quinta-feira: no Conservatório de Tatuí. No local, ela aprendeu violão clássico por cinco anos, até ser aprovada no bacharelado em música na Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (Unesp). "Passei cinco anos estudando em Tatuí e aprendi muito com os professores. Fui à Unesp aos 18 anos e foi uma mudança muito grande. No mestrado, passei na Manhattan School of Music em 2020, aprovada com bolsa integral. Desde 2021, estou morando em Nova York", detalha. Selecionada na Forbes Under 30 Gabriele Leite se apresenta em Tatuí nesta quinta-feira (3) às 20h Arquivo pessoal/Lucca Mezzacappa Em 2021, ela foi a primeira violonista clássica listada Forbes Under 30, prestigiada lista publicada anualmente - pela revista de mesmo nome - que destaca jovens com menos de 30 anos que estão transformando o mundo em diferentes setores. "Chegar nesse patamar de ser reconhecida pela Forbes é, de fato, uma validação do nosso potencial enquanto cultura e educação que temos no interior do estado. Fico muito feliz de saber que sou 'cria' do Projeto Guri, do Conservatório e da universidade pública. Tudo isso, de forma pública, sempre me possibilitou a ir mais longe", aponta. Hoje, a violonista cursa o último ano do doutorado, em paralelo às aulas de música no conservatório de Nova York. Com dois discos lançados, Gabriele venceu na categoria Melhor Lançamento Erudito no Prêmio da Música Brasileira, principal competição musical do país. "Além de tudo isso, eu também tenho dois discos lançados. 'Territórios' (2023) e 'Gunûncho' (2025). O segundo ganhou o prêmio desse ano e é um disco feito somente por mulheres compositoras. Juntando toda essa bagagem que eu tenho com o instrumento e com um pouco da pesquisa que eu tenho feito no doutorado, saiu esse disco", revela. 🏆 'Eu triunfei tudo isso' Olhando para trás, a artista vê a trajetória com muito orgulho. Segundo ela, boa parte do sucesso na carreira é graças à família, que lhe deu muito incentivo para ir atrás dos seus sonhos enquanto ainda era criança. "É incrível. Hoje, olho para trás e me pego pensando 'nossa, eu triunfei tudo isso'. O incentivo da família realmente fez muita diferença no meu processo, porque, além disso, precisa investir tempo, energia e, sem sombra de dúvidas, dinheiro", compartilha. Na visão da artista, retornar ao local que lhe permitiu errar, aprender e amadurecer artisticamente antes de se profissionalizar é muito importante. Por isso, voltar a se apresentar no Conservatório representa, para ela, mais uma conquista na trajetória profissional. "Poder ter esse reconhecimento nesses espaços, sendo quem eu sou e tendo minha origem de família, que não é de músicos, é algo revolucionário. Eu não venho de uma tradição e acho que estou possibilitando que outras pessoas também possam sonhar com esse lugar do 'ser artista'. Acredito que, hoje, sou referência para outras crianças e adolescentes que estão tentando trilhar esse caminho", pontua. Gabriele Leite possui bacharelado com habilitação em violão pelo Instituto de Artes da Universidade do Estado de São Paulo Arquivo pessoal/Lucca Mezzacappa 🎼 Violão, e apenas o violão Mesmo imersa na área da música há mais de vinte anos, Gabriele revela que não tem interesse em tocar outros instrumentos. O violão, para ela, foi "amor à primeira vista". "Desde o começo foi assim. Eu me apaixonei pelo violão e sempre me vi fazendo isso. Acho que ele é uma coisa muito brasileira. Sempre paramos para pensar que todo mundo conhece alguém que toca violão, mesmo que não sendo profissionalmente. Fico muito feliz em saber que também escolhi um instrumento que é a cara do Brasil", analisa. "Eu já percebi isso muito cedo e hoje sou muito grata de ter tido essa leitura. Lembro de entrar no ensino médio e ver meus amigos preocupados sobre os vestibulares que eles prestariam depois. Eu já ganhava dinheiro com a profissão e sabia que queria ser musicista. Sabia das dificuldades da carreira, mas estava disposta a seguir fazendo isso", complementa. Violonista Gabriele Leite Diego Bresani / Divulgação 📻 Primeiro show solo no conservatório Ao g1, Gabriele dá uma "palhinha" antes do show começar: de acordo com a violonista, o concerto fala sobre os lugares onde ela transitou antes de se estabelecer em Nova York. A artista mistura canções do primeiro e do segundo disco. "O 'Territórios' é sobre a minha trajetória, enquanto o 'Gunûncho' é mais essa coisa do afeto, da memória, que é nada mais que o paninho de crochê que minha mãe me dava quando eu era criança. O disco também é sobre pensar essas texturas e relembrar a infância por meio de músicas mais calmas", descreve. Em novembro de 2023, Gabriele Leite lançou seu primeiro álbum de violão Arquivo pessoal/Lucca Mezzacappa Além do violão, o show também passará por repertórios que Gabriele aprendeu enquanto estudante de música. Entre eles, estão canções de Heitor Villa-Lobos, considerado a figura criativa mais significativa do século XX na música clássica brasileira. "Também tem uma peça mais contemporânea, que traz um pouco da leitura que fazemos agora, sobre qual a linguagem do violão clássico hoje. O concerto de amanhã será repleto de grandes coisas", reforça. A apresentação desta quinta-feira, que já seria especial por marcar o retorno ao local onde tudo começou, ganha um significado ainda maior na carreira da jovem: será seu primeiro show solo no Conservatório de Tatuí. Gabriele Leite diz que está animada para a apresentação, pois o local sempre foi visto por ela como um espaço que recebe grandes nomes da música. "É muito legal saber que, desta vez, será eu no palco e com os estudantes na plateia. É a realização de um sonho. Não só meu, mas também de todos os parceiros que tiveram a chance de estudar na escola do conservatório e que, hoje, podemos voltar e mostrar mais da nossa arte às pessoas da escola e, também, à minha família. É bom voltar para casa", finaliza. Gabriele Leite, violonista de Cerquilho (SP), foi aprovada em mestrado nos EUA Gabriele Leite/Divulgação *Colaborou sob a supervisão de Larissa Pandori Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/09/03/violinista-do-interior-de-sp-primeira-da-forbes-under-30-se-apresenta-em-tatui-voltar-para-casa.ghtml


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