Guitarrista do No Doubt revela Parkinson precoce e mantém música como aliada no tratamento

  • 14/04/2026

Tom Dumont, guitarrista do No Doubt, é diagnosticado com Parkinson O guitarrista Tom Dumont, da banda americana No Doubt, revelou que foi diagnosticado com Parkinson de início precoce após notar sintomas há alguns anos. Aos 58 anos, o músico contou que a doença impôs desafios diários, mas destacou que ainda consegue tocar guitarra, uma atividade que, segundo especialistas, pode ajudar no manejo dos sintomas quando associada ao tratamento médico. “É uma luta todos os dias. A boa notícia é que ainda consigo tocar música. Ainda consigo tocar guitarra”, contou. O relato chama atenção não apenas pelo diagnóstico, mas pelo papel que a música pode desempenhar na rotina de quem convive com a doença. Tocar instrumento pode ajudar no manejo da doença Um estudo piloto conduzido por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, apontou que um programa de aulas de guitarra pode ajudar a melhorar sintomas motores e emocionais em pessoas com doença de Parkinson. A pesquisa sugere que a música, quando incorporada ao tratamento, pode trazer benefícios adicionais ao cuidado tradicional da doença. O estudo avaliou um programa de seis semanas de aulas de guitarra em grupo, com encontros duas vezes por semana. Ao todo, 26 participantes com Parkinson participaram da pesquisa, sendo que 24 concluíram todas as etapas. Durante as aulas, os exercícios foram adaptados para estimular movimentos finos das mãos, coordenação e precisão, além de incentivar a interação social entre os participantes. Após o período de intervenção, os pesquisadores observaram: Redução significativa nos sintomas de depressão; Melhora na qualidade de vida, ainda que com tendência estatística; Redução de ansiedade e apatia; Melhora em sintomas motores, especialmente no grupo que começou a intervenção primeiro. Entre os participantes que tiveram contato com as aulas logo no início do estudo, houve uma melhora mais expressiva nos sintomas motores, com efeitos mantidos por até 12 semanas. A guitarra, em especial, foi escolhida por ser um instrumento acessível e portátil, o que pode facilitar sua adoção em diferentes contextos, inclusive fora de ambientes clínicos. Por que a música pode ajudar? Segundo especialistas, a prática musical pode estimular a plasticidade do cérebro (a capacidade de adaptação neural), além de funcionar como um incentivo para o movimento e a socialização. Médicos explicam que atividades como tocar guitarra exigem coordenação motora fina, planejamento, concentração e integração entre funções motoras e cognitivas, justamente áreas afetadas pelo Parkinson. “Tocar guitarra é uma atividade que requer coordenação fina, habilidade, programação motora e mental. Manter essa atividade pode ser muito útil em adição ao tratamento convencional”, afirma o neurocirurgião Helder Picarelli. Ele destaca que o Parkinson compromete principalmente o sistema locomotor, afetando movimentos, equilíbrio, postura e coordenação. Por isso, a terapia física é considerada fundamental em todas as fases da doença. Além de melhorar a qualidade de vida, a estimulação motora contínua pode contribuir para retardar a progressão dos sintomas, segundo o especialista. O que é o Parkinson e por que ele afeta os movimentos O Parkinson é uma doença neurodegenerativa, progressiva e incurável, que afeta uma região do cérebro chamada substância negra. Nessa área, existem neurônios responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos. Com a morte dessas células, ocorre uma queda na dopamina, o que compromete a comunicação entre o cérebro e o corpo e leva ao surgimento dos sintomas. Entre os principais sinais motores estão: Tremor (geralmente mais lento e em repouso); Rigidez muscular; Lentidão dos movimentos (bradicinesia); Alterações na marcha e no equilíbrio; Postura encurvada e diminuição da expressão facial. Esses sintomas costumam aparecer de forma lenta, progressiva e, muitas vezes, assimétrica — afetando um lado do corpo mais do que o outro. Sintomas vão além do movimento Embora os sintomas motores sejam os mais conhecidos, especialistas alertam que os sinais não motores também têm grande impacto na vida do paciente e podem surgir antes mesmo do diagnóstico. Entre eles estão: Depressão e ansiedade; Apatia e alterações de humor; Distúrbios do sono, especialmente durante o sono REM; Constipação intestinal; Perda do olfato (anosmia); Lentidão do pensamento (bradifrenia). Esses sinais iniciais podem aparecer anos antes da manifestação clássica da doença e frequentemente passam despercebidos, o que dificulta o diagnóstico precoce. Diagnóstico é clínico e pode levar tempo O diagnóstico do Parkinson é feito principalmente com base na história clínica e no exame neurológico. Não há um exame específico capaz de confirmar a doença. Exames como a ressonância magnética podem ser utilizados para descartar outras condições com sintomas semelhantes, mas podem não apresentar alterações nos estágios iniciais. Segundo especialistas, a identificação precoce é essencial para iniciar o tratamento e retardar a progressão dos sintomas. Quem pode desenvolver Parkinson A doença afeta cerca de 1% da população acima de 60 anos e 4% acima de 80 anos. A idade média de início é de aproximadamente 60 anos, mas casos de início precoce — como o de Tom Dumont — podem ocorrer antes dos 50 anos. Nesses casos, há maior probabilidade de envolvimento de fatores genéticos. Estima-se que entre 3% e 10% dos pacientes tenham uma causa genética associada, com genes já identificados. O Parkinson é mais comum em homens do que em mulheres. A prevalência varia globalmente, com maiores taxas em países desenvolvidos, possivelmente devido a fatores ambientais ou maior longevidade. Estima-se que a doença afete cerca de 200 mil pessoas no Brasil (3 a 4 casos por 1.000 habitantes). Mas estudos apontam que a subnotificação é comum, especialmente em áreas rurais e menos desenvolvidas, onde o acesso ao diagnóstico especializado é limitado. A origem da doença é considerada multifatorial, envolvendo predisposição genética e fatores ambientais. A interação entre genes e ambiente pode “ativar” a doença. Entre os fatores ambientais, estão: Exposição a pesticidas, solventes e toxinas ambientais Uso de drogas recreativas, como heroína, metanfetamina e anfetamina Uso crônico de medicamentos para vertigem Consumo contínuo e abusivo de álcool Impacto na vida diária e nos músicos O impacto dos sintomas varia de acordo com a atividade de cada pessoa. Em fases mais avançadas, tremores, rigidez e alterações de equilíbrio podem dificultar tarefas básicas do dia a dia. Para músicos, no entanto, os desafios podem surgir mais cedo. “A perda dos movimentos finos, a dificuldade de realizar múltiplas tarefas e a lentificação dos movimentos podem limitar a performance artística já nas fases iniciais”, explica Picarelli. Tratamento busca controlar sintomas e preservar autonomia Apesar de não ter cura, o Parkinson conta com diferentes estratégias terapêuticas que ajudam a controlar os sintomas e manter a qualidade de vida. Entre as principais abordagens estão: Medicamentos, como levodopa, agonistas dopaminérgicos e inibidores da MAO-B; Cirurgias, como a estimulação cerebral profunda em casos selecionados; Tratamento multidisciplinar, incluindo fisioterapia, terapia ocupacional e suporte psicológico. Os medicamentos costumam ser eficazes no início da doença, mas podem perder efeito ao longo do tempo ou causar efeitos colaterais, exigindo ajustes no tratamento. Compartilhar o diagnóstico ajuda a reduzir o estigma Ao tornar pública sua condição, Tom Dumont afirmou que se sentiu motivado por relatos semelhantes nas redes sociais e espera contribuir para ampliar o debate sobre a doença. “Acho que isso ajuda a reduzir o estigma e aumenta a conscientização, algo muito importante para a prevenção e para a pesquisa”, disse. Para especialistas, além da informação, o caso reforça a importância de manter o corpo e a mente ativos e mostra que atividades como a música podem ser mais do que um hobby: podem se tornar parte do cuidado com a saúde. Renata Capucci revela que tem Parkinson; entenda sintomas, causas e tratamentos Demência por corpos de Lewy; entenda o diagnóstico de Milton Nascimento Tom Dumont, guitarrista do No Doubt, é diagnosticado com Parkinson Reprodução/Instagram

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/04/14/guitarrista-do-no-doubt-revela-parkinson-precoce-e-mantem-musica-como-aliada-no-tratamento.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Anderson Freire

Raridade

top2
2. Bruna Karla

Advogado Fiel

top3
3. Aline Barros

Casa do pai

top4
4. Anderson Freire

Acalma o meu coração

top5
5. Aline Barros

Ressuscita-me

Anunciantes